segunda-feira , outubro 23 2017

Precisando de concentração? Encontre um local de estudos perfeito

Chega de desperdiçar tempo: veja dicas de como encontrar um local de estudos que se adeque a você


Um estudante em ano de vestibular passa um bocado de horas ocupado com livros e cadernos. Quando essas horas são gastas em um ambiente que não favorece a concentração ou o seu conforto, elas acabam sendo desperdiçadas. E tudo que um vestibulando menos quer é desperdiçar seu precioso tempo. Por isso, reunimos aqui algumas dicas de especialistas para encontrar um local de estudos perfeito para você.

Identificando problemas

Se você está insatisfeito com o seu atual local de estudos, recomenda-se que seja feita uma avaliação da situação antes de escolher um novo ambiente. Quem aconselha essa reflexão é Fábio Ribeiro Mendes, doutor em filosofia e especialista em autonomia no aprendizado. “Qualquer coisa atrapalha o estudo. A minha recomendação é que a pessoa, após notar que não consegue estudar, faça uma espécie de experimento”, indica. Esse experimento, explica Fábio, é fazer uma lista com tudo que está atrapalhando o estudante. Ao iniciar uma sessão de estudos, coloque um papel em branco e uma caneta ao seu lado e, assim que perceber algum desconforto, anote. Dor nas costas, latidos dos cachorros dos vizinhos, barulhos diversos, cadeira que machuca e por aí vai. “É interessante perceber que muitas dessas coisas que atrapalham são concretas, ou seja, podem ser resolvidas”, analisa.

Com base na sua “lista de reclamações”, é hora de buscar soluções para cada um dos problemas. Para Danilo Micali, diretor geral do cursinho pré-vestibular Jeannine Aboulafia (CUJA-Unifesp), algumas características básicas que podem guiar o estudante para planejar seu local de estudos são: tranquilidade, conforto (cadeira e mesa adequadas), uma boa iluminação, organização e um ambiente com poucas distrações ou interrupções. “É muito bom quando o local de estudos é usado apenas para estudar e não com outras finalidades”, explica.

No entanto, se os problemas forem muitos e você não conseguir resolver todos eles, pode ser uma boa ter um plano B, como encontrar um local alternativo à sua casa.

Estudando fora de casa

Danilo, que também é biomédico, conta que em sua época de vestibular também teve problemas para estudar em casa. “Era difícil para minha família entender que, apesar de estar em casa, estava ocupado e concentrado. Na época eu fazia cursinho de manhã e passei a estudar no próprio cursinho à tarde. Nesse caso, tinha a vantagem de contar com a presença dos monitores para tirar dúvidas que podiam surgir”, relata. Ele recomenda que os estudantes aproveitem as instalações de suas escolas ou cursinhos, caso elas sejam favoráveis para o estudo em horários alternativos.

Outras opções são locais públicos. Em São Paulo, por exemplo, Danilo lembra que existe a biblioteca do Centro Cultural de São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade, esta que agora funciona 24 horas. Caso não seja próximo de casa, ainda existem as bibliotecas de SESCs e dos CEUs (Centros de Artes e Esportes Unificados) para os estudos.

“Às vezes não temos consciência das bibliotecas a que temos acesso, qualquer faculdade ou escola tem biblioteca”, afirma Fábio Ribeiro Mendes. Ele explica que, mesmo em universidades particulares, muitas vezes existe o acesso ao público externo. O estudante pode se informar dessa possibilidade ou, caso não consiga, procurar locais que também funcionam e quebram um galho, como lanchonetes ou praças de alimentação de shoppings.

(Bob Espoja)

Estudando dentro de casa

Mas não é todo mundo que consegue bancar o preço das passagens para deslocamento e também os gastos com alimentação para estudar fora. Nesse caso, o jeito é trabalhar com as suas possibilidades dentro de casa. Se o problema for a família, é preciso envolvê-la nesse processo de estudo. “Em casa, convivemos com outras pessoas e é preciso conversar com elas para tentar negociar opções boas para todos”, aconselha o especialista Fábio. Para ele, ser estudante envolve outras responsabilidades além dos livros, como saber se posicionar com maturidade. Tenha uma conversa franca sobre como é importante que todos colaborem para que você consiga estudar.

Vale a pena também negociar horários. Se você precisa estudar na mesa da sala ou da cozinha, marque uma hora fixa com a família para que eles saibam quando devem evitar fazer barulhos ou interrupções. “Tem estudante que prefere deixar para estudar quando todos estão dormindo ou acordando mais cedo. É uma rotina diferente, mas é uma forma de se conseguir um ambiente apropriado”, diz Fábio.

Para aumentar a concentração

“O estudo, dentre as atividades que vamos ter no dia a dia, é provavelmente a que mais exige concentração”, afirma Fábio. Tanto fora, como dentro de casa, barulho é algo que pode causar distração. Uma das soluções para esse problema é o uso de tampões de ouvido. É fácil encontrá-los em farmácias, lojas de ferragens (porque também é usado como equipamento de segurança em obras) ou em lojas de materiais ortopédicos. Se a pessoa não tiver como comprar um par, a dica é improvisar tampões com algodão ou até mesmo pedaços de papel higiênico (sempre tomando cuidado para não introduzir esses materiais no canal do ouvido para não correr o risco de provocar lesões).

Outra opção para abafar sons externos é ouvir música. No entanto, os dois especialistas alertam para um outro risco: a chance de se distrair com as suas canções favoritas “O estudante tem que ser muito honesto com si mesmo quanto a isso. Inevitavelmente, a música pode ser um fator de distração e, nesse caso, é melhor que se use apenas protetores auriculares”, orienta Danilo. Caso o estudante queira testar estudar com sons, Fábio indica que a pessoa escute músicas mais calmas e com um volume não muito alto. “O estudante tem que encontrar uma solução que o ajude. Para alguns, é o silêncio total, mas para outros, esse silêncio pode ser angustiante. É preciso encontrar a sua própria fórmula sobre o uso da música”, aconselha. No YouTube também é possível encontrar trilhas sonoras para estudos. Vale a pena dar uma pesquisada!

Além disso, Danilo lembra que estudar cansa. Sim, isso mesmo. Trabalhar com a mente pode ser bem exaustivo. “Não se deve ir até o seu limite, estudar até não aguentar mais. Isso faz com que o estudo deixe de ser algo prazeroso”, explica o diretor do CUJA-Unifesp. Ele aconselha a parar quando já se estudou o bastante e a pessoa ainda se sente bem. “O que funciona mesmo é estudar sempre e não tudo de uma vez”, explica. Também é aconselhável que os estudantes mantenham uma rotina de lazer periódico. “Pode parecer uma perda de tempo, mas esses momentos realizando outras atividades são muito mais um ganho, pensando a longo prazo. O que conta, afinal, não é a quantidade de horas estudadas, mas sim a qualidade do estudo”, finaliza.


Por Carolina Vellei  – Fonte: guiadoestudante

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